Maceió, 2 de outubro de 2026

SIGA-NOS

Homem ‘hiperimune’ a veneno de cobra leva à criação de coquetel universal contra picadas

Imagem ilustrativa – José Felipe Batista / Comunicação Butantan

Um coquetel de anticorpos foi eficaz na neutralização dos efeitos do envenenamento da picada de 19 cobras consideradas como as mais letais pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Isso pode levar a um potencial soro antiofídico universal, algo vantajoso para um contexto global no qual mais de 100 mil mortes anuais são provocadas por acidentes ofídicos.

O coquetel, composto de dois anticorpos e uma molécula de pequeno porte, é derivado de células do sistema imune de Tim Friede, um influenciador americano que se autopicou 856 vezes com algumas das cobras mais venenosas do mundo e criou imunidade ao veneno.

É a primeira vez que um composto produzido a partir de anticorpos humanos gera resposta contra o veneno de serpentes. A maioria dos soros produzidos são derivados de anticorpos de cavalos ou outros animais domesticados.

Até o momento, o produto, criado por cientistas da empresa de biotecnologia Centivax e do centro Aaron Diamond de Pesquisa em Aids da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, foi testado apenas em ratos em laboratórios e contra venenos considerados neurotóxicos. Os achados foram publicados na revista Cell, na sexta-feira (2).

Ao longo de quase 18 anos, Friede filmou a si mesmo sendo picado por 16 espécies de serpentes com venenos considerados letais, como cobras do gênero Naja, mambas-negras, cascáveis, víboras e cobras-corais. O seu corpo gerou anticorpos contra algumas das principais toxinas incluídas no veneno desses répteis.

Cientistas solicitaram, então, uma amostra do sangue de Friede para pesquisa, e conseguiram isolar dois anticorpos e uma molécula que têm uma resposta eficaz na neutralização do veneno.

“Algumas das toxinas [componentes] presentes no veneno de serpentes são altamente conservadas, por isso os anticorpos e a molécula pequena que identificamos apresentaram uma alta reatividade [resposta imune] no estudo”, afirma Peter Kwong, professor de doenças infecciosas e bioquímica na Universidade de Columbia e autor sênior do estudo.

A descoberta é potencialmente inovadora por dois motivos: primeiro, não há hoje, no mundo, nenhum soro ou remédio contra veneno de cobra produzido a partir de anticorpos humanos, um fato que poderia reduzir bastante os riscos de reação alérgica; segundo, o coquetel pode ser usado potencialmente para neutralizar o veneno de diferentes espécies venenosas, mesmo quando não se sabe o tipo de cobra que causou o acidente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por:  Ana Bottalo / Folhapress

Compartilhe