Maceió, 2 de outubro de 2026

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Júri de PM que matou motorista em Maceió começa com depoimentos de testemunhas

Testemunha é ouvida durante julgamento no Fórum do Barro Duro | Ascom MPAL

Família pede Justiça – Antes do julgamento, os familiares de Fábio Jhonata conversaram com o repórter Bruno Protasio, da TV Pajuçara, no Fórum do Barro Duro, e afirmaram que esperam pela condenação do PM. Eles usaram camisas com a imagem da vítima e com a frase “Justiça pelo Fábio”, e levaram um cartaz também com a foto do motorista e com uma frase para chamar a atenção do Poder Judiciário.

Começou, na manhã desta sexta-feira, 03, o julgamento do policial militar aposentado Gedival Souza Silva, acusado de matar o motorista Fábio Jhonata da Silva, no ano de 2021, no Centro de Maceió, após uma briga de trânsito. O júri estava marcada para o dia 22 de abril, porém foi adiado para o dia 3 do mês seguinte devido à ausência de três testemunhas tidas como imprescindíveis pela defesa e pela alegada falta de tempo para analisar o prontuário médico da vítima.

Fábio Jhonata morreu depois de ser baleado durante briga no trânsito de Maceió (Foto: Arquivo Pessoal)

“Esperamos que a justiça seja feita, para nós prosseguirmos com as nossas vidas, com o sentimento de dever cumprido pela vida dele que foi tirada”, disse Eveline Vieira, viúva da vítima.

Rosângela Joventino, mãe de Fábio, também destacou o sentimento antes do júri. “Agradeço o apoio de toda a população. Estamos aqui em busca de justiça. A expectativa é de que hoje acabe esse martírio, esperamos que ele [o PM réu] seja condenado”.

MP sustenta a tese de homicídio duplamente qualificado – O promotor de Justiça Napoleão Amaral Fraco enfatizou que o trabalho do Ministério Público no julgamento é mostrar que o réu deve responder por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e por recurso que tornou impossível a defesa da vítima.

“Nós estamos aqui para mostrar ao Conselho de Sentença a necessidade de reconhecer a responsabilidade criminal do réu. O Ministério Público vai sustentar essa tese. A primeira qualificadora subjetiva é justamente a desproporção entre o crime praticado e a razão que motivou o crime. Ou seja, uma briga de trânsito é completamente desproporcional para justificar um crime de homicídio. A segunda qualificadora é o fato de a vítima ter sido lesionada com tiro nas costas, e não houve possibilidade da vítima oferecer o recursos suficiente”, informou.

Promotor Napoleão Amaral (à direita) acompanha depoimento de testemunha (Foto: Ascom MPAL)

“Abstratamente, ele está numa pena prevista de 12 a 30 anos, mas o réu é primário, confesso e sem antecedentes. Pela experiência, o MP acredita que se o magistrado reconhecer as duas teses, há uma pena de 16 ou 17 anos, variando em torno disso. Vai depender do prudente critério do magistrado”, complementou.

Depoimentos – A primeira testemunha a depor foi o policial militar Gomes dos Santos, que estava a trabalho no dia do fato e atendeu a ocorrência no Centro de Maceió. Veja abaixo trecho do depoimento dele:

“Estávamos de serviço nesse dia. Na rua, o trânsito estava congestionado e nós estávamos parados. Cerca de 100 ou 150 metros à frente da guarnição ouvimos estampidos. Como era próximo aos camelôs, achamos que alguma placa teria caído, não acreditávamos que seriam disparos de armas de fogo. Quando a gente chegou até o local, os taxistas e as pessoas que passavam no local disseram que foram tiros o que houve ali e teriam alvejado um cidadão. Chegamos a avistar o cidadão sentado, gesticulando, ainda lúcido. Nesse momento, foi passado para a gente os números da placa do veículo do autor que teria feito os disparos. Tomamos essa decisão de tentar capturar o autor. Em ruas próximas ao evento, conseguimos encontrá-lo. Nós o abordamos. O autor parou de imediato e já desceu com as mãos para cima e disse que fez uma besteira. Assim que ele me viu, ele não esboçou reação nenhuma. Foi dada voz de prisão. Ele falou que tinha ido até o centro tratar da documentação para casar e que uma manobra de trânsito onde ocorreu o evento, o cidadão o fechou com o carro, aquelas coisas de trânsito. Eles vieram a discutir. Trocaram insultos. Em uma troca de insultos, não me recordo se chegaram a se agredir, mas o que foi dito verbalmente foi muito forte. Até o momento da vítima se descolar e abaixar em seu veículo, ele (o réu) acreditou ser arma de fogo, foi quando ele efetuou os disparos. Ele acreditava piamente que era uma arma de fogo”.

O promotor de Justiça questionou se havia de fato arma de fogo no carro da vítima. A testemunha disse que foi feita revista no carro e não foi encontrado nada.

(Foto: Ascom MPAL)

Já a segunda pessoa a ser ouvida foi a assistente social que atendeu a vítima no HGE. Ela deu detalhes da chegada e do atendimento de Fábio Jhonata na únidade de saúde. Confira abaixo o relato dela:

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