Maceió, 2 de outubro de 2026

SIGA-NOS

Lula critica guerras, negacionismo e algoritmos e volta a pedir mapa para fim do petróleo na COP30

O presidente Lula em discurso na COP30 – Presidência da República

No discurso de abertura da COP30, a conferência da ONU que discute mudanças climáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o evento “é [o] momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”.

“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades”, disse.

No início de sua fala, de improviso, ele também criticou líderes mundiais que não compareceram ao evento, sem citar especificamente nenhum país. Em um discurso acalorado, ele fez um paralelo com líderes que participam de guerra.

“Se os homens que fazem guerra estivessem aqui nessa COP iam perceber que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para acabar com um problema que mata, do que US$ 2,7 trilhões para fazer guerra, como fizeram no ano passado”, disse.

Lula lembrou o ciclone que deixou seis pessoas mortas no Paraná, defendeu a necessidade de investimentos em adaptação climática e a demarcação de terras indígenas e voltou a pleitear a transição energética.

“Precisamos de mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare e reverta o desmatamento e mobilize recursos para esses fins”, disse.

O presidente brasileiro também foi incisivo quando defendeu a escolha de Belém como sede da conferência —a escolha foi criticada por membros do próprio governo e da sociedade civil, que defendiam que o evento fosse realizado em cidades mias ricas, como Rio de Janeiro e São Paulo. Ao citar que a Amazônia abriga cerca de 50 milhões de pessoas, ele disse que “quem só vê floresta de cima desconhece o que se passa à sua sombra”.

“Seria mais fácil ter feito a COP numa cidade acabada, numa cidade que não tivesse problema. E nós resolvemos aceitar o desafio de fazer a COP no estado da Amazônia para provar que quando se tem disposição política, quando se tem vontade e quando tem compromisso com a verdade, a gente prova que o homem não tem nada que seja impossível para ele”, afirmou. “O impossível é a gente não ter coragem de enfrentar desafios.”

Ainda sobre a escolha da cidade, ele elogiou a população de Belém e pediu para os delegados de outros países aproveitarem a culinária paraense.

“Tirem proveito dessa cidade, da alegria, da beleza e da alegria e do charme do carinho e do amor de homens e mulheres que vão receber vocês”, afirmou. “E sobretudo tire proveito da culinária do Pará; aqui vocês vão comer comidas que vocês não comeram em nenhum lugar do mundo.Talvez o melhor peixe e não esqueça de comer a maniçoba”, afirmou. “O tradutor repita direito: maniçoba”, brincou.

Ao lembrar a Rio-92, evento que criou as COPs climáticas, Lula disse que a Convenção do Clima retorna à sua terra natal “para recuperar o entusiasmo e o engajamento que embalaram o seu nascimento”.

Por: João Gabriel e Pedro Lovisi / Folhapress

Compartilhe