Maceió, 2 de outubro de 2026

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Brasil contabiliza um atendimento de emergência cardíaca por minuto

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A cada minuto, uma pessoa é atendida em um pronto-socorro do Sistema Único de Saúde (SUS) devido a crises agudas relacionadas a doenças cardíacas, como insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio. Em 2023, as internações decorrentes dessas condições somaram 641.980, segundo um alerta da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede).

A associação fez um levantamento dos principais problemas cardiovasculares registrados em hospitais públicos brasileiros, incluindo doenças como a doença reumática crônica do coração, infarto agudo do miocárdio, doenças isquêmicas do coração, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca.

Para a Abramede, esses dados ressaltam a necessidade urgente de melhorar a infraestrutura hospitalar e treinar continuamente as equipes de emergência para atender ao aumento e à complexidade dos casos. Ao longo desta semana, a associação reúne cerca de 1,6 mil especialistas para discutir o tema durante o 9º Congresso Brasileiro de Medicina de Emergência.

Pressão sobre o SUS

A entidade aponta que os números indicam uma “forte pressão” sobre os serviços de emergência em todo o país. A região Sudeste, sendo a mais populosa, registrou o maior número absoluto de internações por doenças cardíacas, totalizando mais de 241 mil atendimentos. Os estados de São Paulo e Minas Gerais lideraram as estatísticas, com 120.142 e 80.191 casos, respectivamente.

No Nordeste, a pressão sobre os serviços de emergência é igualmente significativa, especialmente em estados como Ceará e Pernambuco, que contabilizaram 20.374 e 24.331 atendimentos de urgência, correspondendo a mais de 90% das internações por doenças cardíacas nessas regiões.

Na região Norte, o total de atendimentos de urgência foi de 27.460, com destaque para o estado do Amazonas, que registrou 5.899 atendimentos desse tipo.

Segundo a Abramede, a situação é mais crítica em Mato Grosso do Sul, onde 97% das internações por doenças cardíacas foram de urgência. O estado registrou 10.590 internações urgentes, de um total de 10.963 atendimentos em 2023, o que representa a maior proporção do país.

Caráter emergencial

Além disso, o levantamento revela que, no ano passado, mais de 85% das internações por doenças cardíacas foram emergenciais. O infarto agudo do miocárdio, por exemplo, representou 152 mil internações de urgência, ou seja, 88% do total de internações para essa condição.

A insuficiência cardíaca, uma das condições cardíacas mais frequentes, contabilizou 194,5 mil hospitalizações de emergência, correspondendo a 94% dos casos da doença. Essa condição ocorre quando o coração não consegue bombear sangue de maneira eficiente, necessitando de intervenção imediata para evitar complicações graves.

Perfil dos Pacientes

Os homens são o grupo mais afetado entre os pacientes internados em caráter de urgência, correspondendo a 57% das internações em 2023, enquanto as mulheres representaram 43%.

O levantamento também indica que o risco de doenças cardíacas aumenta com a idade: 67% das internações foram de pacientes com 60 anos ou mais. Os grupos etários de 70 a 79 anos, de 50 a 59 anos e de 80 anos ou mais também apresentaram altas taxas de internação.

“Embora as doenças cardíacas sejam predominantemente ligadas ao envelhecimento, um número considerável de atendimentos ocorre entre adultos jovens, que muitas vezes estão expostos a hábitos de vida prejudiciais à saúde cardiovascular”, alerta a Abramede.

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