
Uma criação de suínos na Zona Rural de Jequiá da Praia, no interior de Alagoas, se tornou palco de um fato inusitado após um parto ocorrido nesta semana. No Povoado Ponta de Pedras, uma porca deu à luz 15 filhotes, mas o que chamou a atenção foi que um dos porquinhos nasceu com características de ambos os sexos, uma condição intersexo, conhecida popularmente como hermafroditismo. O animal apresenta tanto vagina quanto testículos.
Léo, o proprietário da criação, contou que só percebeu o filhote com essa condição no dia seguinte ao nascimento. “No dia do parto, contei 14 porquinhos, limpei tudo e fui embora. No outro dia, voltei e percebi que havia mais um, eram 15 no total. Notei algo diferente nesse último filhote, ele nasceu com os dois sexos. Quando fui conferir quantos machos e quantas fêmeas havia, me deparei com isso e fiquei surpreso. Não sei se é macho ou fêmea, só sei que nasceu assim”, comentou o criador.
A equipe da TV Pajuçara/RECORD procurou o biólogo Carlos Fernando, da Unidade de Vigilância de Zoonoses de Maceió (UVZ), para comentar o caso. Segundo ele, embora seja uma condição rara, não é incomum em suínos. “É algo que não vemos todos os dias, mas, se formos listar os animais com maior propensão a esse tipo de alteração morfológica causada por fatores genéticos, os porcos estariam no topo. Acontece com mais frequência em suínos do que em outros animais”, explicou o biólogo.
Carlos Fernando também apontou possíveis causas genéticas para a condição do filhote. “Podem ser fatores como toxinas, idade avançada dos pais, ou até consanguinidade, quando os pais são irmãos. Esses são os principais fatores que podem causar alterações cromossômicas em animais”, destacou. Ele acrescentou que, embora incomum, não se trata de uma doença e requer apenas cuidados simples.
“O filhote possui uma alteração morfológica, resultado de cromossomos alterados, mas deve se desenvolver normalmente. A recomendação é realizar a castração, removendo a parte masculina. Em todos os meus anos de trabalho na UVZ, nunca presenciei um caso assim. É realmente algo raro”, concluiu o especialista.
