Maceió, 2 de outubro de 2026

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Entenda o significado de Tranca Rua, mencionado na projeção de Ludmilla

Reprodução

Candomblecistas do Rio de Janeiro apagam manifestações de intolerância religiosa e são referência no combate ao preconceito

Em 2015, um grupo de candomblecistas da Baixada Fluminense tomou uma iniciativa corajosa: começaram a apagar frases preconceituosas pintadas nos muros das estações de trem, substituindo-as por mensagens de apoio ao candomblé e à umbanda. Frases como “só Jesus expulsa Ogum, Iemanjá ou Tranca Rua das pessoas” foram alvo de sua ação.

Apesar das críticas iniciais, o projeto foi defendido pelo grupo e recebeu apoio de outras pessoas. Quase uma década depois, em um evento internacional, o nome Tranca Rua ressurgiu em uma projeção no show da cantora Ludmilla no festival Coachella, nos Estados Unidos.

A imagem de um cartaz com a frase “só Jesus expulsa o Tranca Rua das pessoas” gerou controvérsias, especialmente em um contexto de aumento da intolerância religiosa no Brasil. A equipe de Ludmilla alegou que a projeção foi descontextualizada de sua intenção original, que era denunciar questões sociais.

A associação de Tranca Rua com demônios é vista por religiosos e estudiosos como um reflexo de preconceitos enraizados desde os tempos da colonização. Na umbanda, Tranca Rua é considerado um espírito que abre caminhos, ligado ao orixá Ogum.

Os exus, como Tranca Rua, são vistos como mensageiros e trabalhadores dos orixás na umbanda. O nome “Tranca Rua” refere-se a um conjunto de espíritos que desempenham esse papel, podendo ser acompanhado de complementos como Imbaré, das Almas e da Estrada, cada um representando diferentes aspectos de atuação dessas entidades.

Tranca Rua é representado como um homem, muitas vezes vestido com uma capa e cartola, empunhando um tridente e fumando charuto. Ele é associado não apenas à abertura de caminhos, mas também às batalhas diárias enfrentadas pelas pessoas.

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