Maceió, 2 de outubro de 2026

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Polícia descobre mais 37 alunos vítimas de tortura em creche desde 2009

Reprodução/g1

Segundo inquérito revela mais 37 alunos vítimas de torturas em escola de SP desde 2009

Um novo inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo, para investigar alegações de tortura e maus-tratos na Colmeia Mágica, identificou mais 37 alunos (23 meninos, um adolescente e 13 meninas) que teriam sido submetidos a castigos desde 2009 na escola privada localizada na Zona Leste.

Apesar da descoberta, a Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 8ª Delegacia Seccional, responsável pelo caso, encaminhou o inquérito à Justiça sem acusar as responsáveis pela escola e suas funcionárias pelos crimes.

De acordo com informações obtidas pelo g1, a polícia não conseguiu atribuir culpabilidade devido à falta de evidências concretas que comprovem as alegações de tortura, maus-tratos e castigos relatados por testemunhas.

O inquérito incluiu depoimentos de pais de alunos e ex-funcionários da Colmeia Mágica. Embora relatassem ter presenciado casos de tortura, maus-tratos e castigos ordenados pela direção da escola, não havia material visual ou laudos médicos que corroborassem tais acusações. As supostas vítimas foram identificadas durante a investigação.

A Colmeia Mágica, fundada em 2002, atendia crianças de 1 a 5 anos, do berçário ao ensino infantil, e atualmente está fechada. A maioria das vítimas, com idades entre 6 meses e 6 anos, teria sofrido abusos entre 2009 e 2022.

Em um caso específico, um adolescente de 16 anos com síndrome de Down foi mencionado como alvo de maus-tratos, de acordo com relatos de testemunhas.

O primeiro inquérito contra a escola foi concluído quase dois anos atrás, resultando no indiciamento das irmãs Roberta Serme e Fernanda Serme, diretora e coordenadora da Colmeia Mágica, e de Solange Hernandez, funcionária, por torturar e maltratar nove alunos (sete meninos e duas meninas identificados) entre 2021 e 2022.

O caso veio à tona em 2022 após vídeos e fotos mostrarem as crianças amarradas e chorando no banheiro da escola. Em 2023, as três mulheres foram condenadas à prisão pelos crimes. As proprietárias estão detidas, enquanto a funcionária está em liberdade.

O segundo inquérito foi aberto ainda em 2022, após solicitação do Ministério Público (MP), devido à repercussão do caso. Outros pais de alunos procuraram a polícia para relatar lesões corporais e mudanças de comportamento em seus filhos durante o período em que frequentaram a Colmeia Mágica. No entanto, não foram encontradas evidências visuais dessas lesões.

A Promotoria questionou se a polícia investigaria se outras funcionárias da escola estiveram envolvidas nos supostos abusos, mas não obteve respostas conclusivas.

Diante das lacunas na investigação, a Justiça ordenou que a Polícia Civil complemente seu relatório dentro de 60 dias, até junho.

Ex-funcionárias relataram que os castigos começaram há mais de 15 anos, incluindo amarrar crianças em lençóis presos a cadeiras de bebês e obrigá-las a ficar em banheiros escuros. A diretora teria ordenado a um aluno que comesse seu próprio vômito como forma de punição, segundo relatos.

Embora os nomes das responsáveis tenham sido mencionados no inquérito, não há informações sobre a participação de outras funcionárias. A polícia também investigou se as proprietárias cometeram falsidade ideológica ao usar documentos irregulares para burlar regulamentos da Secretaria Municipal da Educação.

A Justiça poderá decidir se o segundo inquérito será arquivado, se novas provas serão coletadas ou se as acusadas serão responsabilizadas por algum crime.

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